Quem roubou nossa coragem?*

12 10 2009

No mês passado a capa da revista Época Negócios foi um homem, ou melhor, rapaz, chamado Mark Zuckerberg, criador do Facebook. Chamei-o de rapaz porque o mocinho não tem nada mais, nada menos do que 25 anos. Meu pai é assinante dessa revista – ainda não entendi porquê – e por isso pude ler a reportagem, que aliás era enorme. História longa sendo muito resumida, trata-se de um garoto que assiste uma palestra ministrada por Bill Gates, resolve trancar a faculdade (Harvard, diga-se de passagem) por um tempinho com a finalidade de se dedicar a alguma coisa que fosse nova e que o tirasse do anonimato. O tempinho se tornou pra sempre, o garoto se tornou o criador do Facebook, e sua conta bancária, juntamente com seu prestígio, se multiplicaram por números astronômicos.

Atualmente, me encontro em uma fase de reflexão, do tipo: “o que fiz com minha vida até aqui?” Me pergunto isso todos os dias. E quando li a tal reportagem, não tive como não me fazer essa pergunta, principalmente pelo fato de que há dois anos não tenho mais os meus 25 aninhos. E provavelmente muitas pessoas poderiam sentir alguma coisa também. Afinal, a história é de uma pessoa que chegou ao topo muito, muito jovem; e esse tipo de história sempre nos leva a pensar que queríamos ter realizado algo grande na juventude, na vida, etc.

Sinceramente, o que mais me chamou atenção na trajetória de Mark não foi o dinheiro que ele ganhou, nem o sucesso que alcançou. A minha mente e reflexão se prenderam especialmente na ousadia de um menino de 19 anos. Ousadia de largar tudo o que tinha, pois mesmo que não fosse rico, ele tinha o status de ser estudante da Harvard, e com isso, certamente um bom e estável futuro trabalhando em alguma empresa nos EUA. Ousadia de investir tudo em um projeto que não oferecia nenhuma garantia de que daria certo. Ousadia de bater na porta de investidores e receber grandes e redondos “nãos”. Essa história poderia ter tido um final totalmente diferente, com Mark voltando para a faculdade, depois de ter perdido um bom tempo, com o rabinho entre as pernas, e se conformando com um futuro estável e mediano em alguma empresa. Mas não foi isso que aconteceu. Não havia nenhuma garantia de que daria tão certo. Não havia garantias ou promessas de se tornar bilionário. Porém, ele ousou, arriscou-se completamente e o resultado foi surpreendente.

A história de Mark me fez refletir sobre a minha covardia. Não, eu nunca tive uma grande idéia que deixei ir pelo ralo. Mas a minha covardia me fez jogar outras coisas pelo ralo: meu tempo, meus primeiros anos de juventude, minha comunhão com Deus. Hoje olho para a história de Mark e penso que queria ter tido a sua coragem. No campo do espírito, digo.

É preciso coragem para seguir a Jesus! Isso fica bem provado quando do episódio em que o moço, que tinha muito dinheiro, vai até Ele e pergunta: “Mestre, o que eu devo fazer para ter a vida eterna?”, ao que Jesus responde: “Você conhece os mandamentos, siga-os!” (parafraseando). Então o jovem Lhe diz que os tem seguido desde a infância. É depois dessa afirmação que vem a prova de coragem, quando Jesus diz ao jovem: “Sendo assim, vai, vende tudo o que você tem, pegue o dinheiro e dê aos pobres, depois venha e me siga.” O rapaz, infelizmente, não obedece e volta para casa triste. Às vezes fico imaginando porque motivo ele se vai triste. Será que sua tristeza não vinha, pelo menos em parte, por ele ter percebido que não tinha coragem? Talvez ele tenha voltado para casa pensando que não tinha coragem de ser pobre, mesmo que esse fosse o preço para passar a eternidade com Deus. Sem as suas riquezas, quem iria garantir a sua vida, o seu futuro? Talvez ele temesse passar necessidade. Talvez ele quisesse ter “comida, diversão e arte”, não visse a si mesmo sem essas coisas e temesse que andar com Cristo não o satisfizesse e, assim, passaria o resto da vida pensando naquilo que deixou para trás.

Sempre que leio esse texto, tento me colocar no lugar desse rapaz. Não que eu tenha muitas riquezas… Quer dizer,  na realidade, no mundo de hoje, eu posso sim me considerar muito rica com tudo o que tenho: todas as minhas necessidades básicas estão completamente supridas, e até as minhas futilidades são relativamente satisfeitas (não digo totalmente porque o desejo pelas futilidades não tem fim). Considerando um mundo onde morre uma criança na África a cada três segundos de causas que podem ser contornadas, eu sou verdadeiramente rica! Mas esse é um assunto pra outro post…

A verdade é que Jesus não disse claramente para aquele rapaz que ele passaria necessidades. Ao contrário, no Sermão do Monte Ele deixa claro que Deus sabe de tudo o que precisamos e que suprirá essas coisas. Porém, Ele exigiu confiança, fé. Coisa que nem todos estamos dispostos a dar.

Exigimos garantias. Coisa que o Mark, do Facebook, não tinha. O mais lamentável, pra mim, é que realmente, não há garantias em relação a algumas coisas. Não sei se vou encontrar o chinelo velho para o meu pé cansado; também não há garantias de que minha carreira será bem sucedida, nem se ganharei algum dinheiro. Jesus não garante que terei saúde plena durante toda a vida; nem que darei a volta ao mundo. Essas coisas são superficiais.

No entanto, há garantias. Garantia de satisfação plena, daquelas que não se encontra no sucesso profissional. Há garantia de uma casa pela eternidade; há garantia de uma enorme família de irmãs e irmãos; há garantia de Amor verdadeiro; há garantia de misericórdia; há garantia de paz que não se pode entender; há garantia de um ver a Deus; a garantias de uma nova mente e m coração de carne; há garantia de sentir algo que vai além, muito além dos sentimentos romantizados pelos filmes de Hollywood. Há garantias muito mais profundas do que qualquer uma que outra pessoa, que não Cristo, possa me oferecer. Se eu parar pra pensar bem, não é preciso nem muita coragem…

By Thams

* Inpirado em: Quando o sol bater na janela do seu quarto, da Legião Urbana.





Uma citação

4 08 2009

“People, positions, and possesssions grow less important to us as Jesus Christ grows more important*”

Shirley Brosius in Sisterhood of Faith

* Pessoas, posições e possessões se tornam menos importantes quando Jesus se torna mais importante.





E Deus enviou o seu Filho…

17 06 2009

“Se nossa maior necessidade fosse formação,

Deus nos teria enviado um educador.

Se nossa maior necessidade fosse tecnologia,

Deus nos teria enviado um cientista.

Se nossa maior necessidade fosse dinheiro,

Deus teria enviado um economista.

Se nossa maior necessidade fosse prazer,

Deus nos teria enviado um artista cômico.

Mas nossa maior necessidade era perdão,

E, assim, Deus nos enviou um Salvador!”

Autor desconhecido





Um vôo trágico nos faz repensar a vida

4 06 2009

“Com sorte, você atravessa o mundo. Sem sorte não atravessa a rua” (Nelson Rodrigues)

Ontem foi um dia diferente para todos nós. Um dia mais duro. Em que se acorda com a notícia de que um avião sumiu no oceano com 228 pessoas a bordo. Famílias, casais enamorados, oito crianças, um bebê, passageiros mal-humorados, outros de bem com a vida, os que tossem, os que roncam e os que não dormem. Gente que ia e gente que voltava.
O avião saíra do Rio, ia para Paris, e desapareceu do radar na altura de um de nossos paraísos, o arquipélago Fernando de Noronha. Tempestade em “zona de convergência intertropical”, raios, trovões, pane elétrica, nuvens espessas – as chamadas cumulus nimbus – e o sumiço nas águas. Ou no céu. Uma das hipóteses é que o Airbus A330 da Air France tenha se desintegrado no ar antes de cair no Atlântico.
Meu filho de 22 anos, candidamente, me disse, sentado a meu lado em frente ao computador.
“Mãe, da próxima vez que você viajar, sei lá, olha antes a meteorologia”.
Faço muito essa rota, sempre pela Air France. Vivi em Paris como correspondente vários anos.
Eu respondi: filho, quando tem que ser…
Há gente que passa a vida inteira sem viajar de avião por medo. E pode acabar atropelado na calçada. Vamos morrer todos um dia e, como diz um amigo meu, o psicanalista Luiz Alberto Py, “é mais saudável sentir medo do provável que do possível”. Possível tudo é. Nunca senti medo de voar. Costuma me bater uma calma até estranha quando me sento no avião. Lembro uma vez, quando viajava com meu ex-marido físico (cujas mãos ficam suadas ao voar) e ele me disse: “Não, Ruth, você está de provocação. Vai começar um capítulo do livro na hora de aterrissar?”
Há dois anos, fiz um vôo de asa-delta, saltando da Pedra da Gávea, com um instrutor. Sobrevoei um vulcão no Chile com um Cessna, em dia de ventania, vendo a lava fumegante. Fiz várias “loucuras”, como descer de helicóptero militar numa zona minada em Angola em tempos de guerra, ou andar num carro dirigido pelo inglês Nigel Mansell no circuito de Interlagos com a pista molhada. Não me lembro de ter sentido medo, apenas adrenalina. O jornalista costuma ser, sim, um pouco irresponsável com a própria vida. Mas a vive com paixão.
Esses passageiros que iam para Paris não faziam nenhuma loucura. Como ouvi ontem de um especialista, é mais fácil morrer voltando de táxi para casa do aeroporto, depois de perder o avião por alguma eventualidade. Cerca de 85 mil aviões comerciais decolam por dia no mundo. Este não chegou ao destino.
Entre os 58 brasileiros que embarcaram no Galeão, havia, como em todos os voos, gente nascida em vários estados, de todas as idades, para quem Paris significava trabalho, prazer, volta para casa, ou simples escala de conexão. A jovem Ana Carolina, de 28 anos, trabalhava em comunidade carente no Rio com crianças e jovens envolvidos com violência armada. A família gaúcha Chem – cirurgião plástico, psicóloga e filha executiva – ia para a Grécia passar um mês de encantamento. Havia um oceanógrafo. O maestro que iria reger em Kiev, na Ucrânia. Uma cantora e dançarina. Professores universitários, engenheiros, executivos. Um deles, da Vale, ia a Paris receber um prêmio. Um Orleans e Bragança, descendente de dom Pedro II. Um casalzinho em lua de mel – a cerimônia tinha sido no sábado. Também estavam no voo 447 alguns brasileiros que voltavam para a Europa após visitar as famílias no Brasil. Mais e mais fragmentos de vida vão surgir e nos entristecer esta semana.
A tragédia do Airbus A330 não apenas nos enche de dor. Ela nos confronta com nossa fragilidade. Dá medo sim. De sumir, de deixar de existir para quem amamos sem ter tempo de mandar um SMS, e de fechar precocemente a agenda da vida quando ainda há tanto a fazer. Mesmo os jovens, que se julgam imortais, imunes a quase tudo, sentem um aperto.
Num momento assim, quem brigou faz as pazes. Quem se lamenta por frivolidades dá um tempo. Há uma celebração interna por estar vivo. E me invade uma tremenda vontade de continuar aproveitando tudo com intensidade.
Como dizia nosso grande cronista Nelson Rodrigues, “sem paixão não dá nem pra chupar um picolé”. Você é apaixonado pela vida? Ainda tem tempo.

Escrito por Ruth de Aquino





Soltar

2 06 2009

 

Soltar não significa parar de se preocupar; significa que não posso fazer isso por outra pessoa.

Soltar não é se isolar; é a percepção de que não posso controlar o outro.

Soltar não é deixar, mas permitir o aprendizado com bases nas conseqüências naturais.

Soltar é admitir a fraqueza, o que significa que o resultado não está em minhas mãos.

Soltar não é tentar mudar ou culpar o outro; eu só posso mudar a mim mesmo.

Soltar não é se preocupar, mas se importar.

Soltar não é consertar, mas apoiar.

Soltar não é julgar, mas permitir que o outro seja um ser humano.

Soltar não é ficar no meio, ajeitando os resultados, mas permitir que os outros alcancem seus próprios resultados.

Soltar não é ser protetor; é permitir que o outro enfrente a realidade.

Soltar não é negar, mas aceitar.

Soltar não é incomodar, repreender ou discutir, mas analisar minhas próprias deficiências e corrigi-las.

Soltar não é ajustar tudo aos meus desejos, mas aceitar cada dia como ele for.

Soltar não é criticar nem regulamentar ninguém, mas tentar tornar-me aquilo que sonho que eu possa ser.

Soltar não é arrepender-se do passado, mas crescer e viver para o futuro.

Soltar é temer menos e amar mais!

 

 





Surpreenda-se!

22 05 2009

Eu trabalho todos os dias com crianças de 5 e 6 anos. E sou completamente apaixonada por elas. Uma das melhores coisas desse trabalho é o quanto você pode aprender e perceber da vida ao lidar com esses pequenos.

Uma das lições que recebi essa semana foi muito especial e, na verdade, ainda estou tentando assimilar bem o que percebi.

Estamos trabalhando há dois meses com o tema “Espaço” na escola. É mais ou menos assim: as crianças pesquisam, escrevem, lêem, fazem muitas coisas relacionadas ao tema, e assim vão descobrindo um pouco do que a ciência já sabe que há lá longe. Então, depois de já conhecerem todos os planetas, a Lua, o Sol, e etc. Eles começaram a pesquisar sobre a intervenção que o homem tem feito no Espaço. Tipo, satélites, sondas, telescópios, lixo espacial e a ida à Lua. Enfim, é tudo muito legal e eles cada vez se interessam mais.

Assim, esses dias, num momento de discussão em sala, elas tomaram conhecimento do lançamento do Sputnik 2, satélite russo que, nos idos anos 1950, levou a cachorrinha Layka para o Espaço. Daí as crianças começaram com as suas mil perguntas: “Mas mandaram uma cachorra?”, “ Tinha alguém junto dela?”, “O que ela foi fazer lá?”, e afinal, “Porque mandaram uma cachorra para o espaço?”. Quando começamos a explicar que eles mandaram uma cachorra para testar a nave, ver se era seguro ir pra lá, o que aconteceria e se ela conseguiria voltar, a reação foi ainda pior: como assim os homens mandaram uma cachorra sem saber se era seguro pra ela, se ela voltaria bem? E se ela não voltasse? “`Tadinha, e se acontecesse alguma coisa?” Elas ficaram muito surpresas com tamanha crueldade. Afinal, o bichinho poderia sofrer muito.

Então, eu comecei a me perguntar em que altura da vida nós perdemos essa capacidade de nos surpreender com a maldade. Quando perdemos a capacidade de ter compaixão pelas outras pessoas e pela natureza? Não me entenda mal, eu não sou contra pesquisa científica e tampouco sou ativista pelos direitos dos ratos de laboratório. Não sou vegetariana, nunca tive um cachorro e nem quero ter. Mas é impossível não começar a refletir sobre o que nos tornamos quando se encontra os sentimentos de 24 criancinhas preocupadas. Quando foi que Humanidade deixou de se importar com as conseqüências do que faz com a natureza e com os próprios homens e mulheres? Se é que algum dia se importou… Há algumas décadas mandamos uma cachorra para o espaço, fazemos testes de cosméticos em animais (como se a pele do rato fosse ter a mesma reação que a minha ao creme) e os matamos a toa muitas vezes. Hoje, se tirarmos os óculos cor-de-rosa e olharmos para o mundo será possível ver outras ações, ainda piores, sendo feitas: testes de medicamentos em pessoas de países pobres, mulheres sendo espancadas no Oriente Médio (pois seus maridos têm esse direito, segundo o Islã), meninas da idade dos meus alunos sendo vendidas e prostituídas não tão longe daqui (pra quem não sabe, o turismos sexual infantil no Brasil é mundialmente conhecido). O pior de tudo é que, quase sempre, essas atrocidades não nos chocam. Quando o fazem, o sentimento não dura muito, e logo partimos para os afazeres da nossa vida, vamos ganhar dinheiro e nos divertir.

Então vejo que eu preciso me surpreender. Não quero ficar surpresa apenas com as coisas boas, mas principalmente, com aquilo que não deveria estar acontecendo. Um coração que não se surpreende com essas coisas, já está fechado, e talvez seja duro como uma pedra.

Quando, no último dia, eu me apresentar diante Criador, o que Ele me dirá sobre o que fiz àquilo que criou? E a você, o que Ele dirá?

Por Thams.





A ditadura da alegria

9 02 2009

Admirável mundo novo, uma das mais importantes distopias da literatura mundial escrita pelo inglês Aldous Huxley, retrata um futuro em que pessoas são criadas em laboratório e cada uma delas já em uma classe com características bem definidas, divididas em alfas, betas e gamas. Além disso, as pessoas eram condicionadas psicologicamente a viverem em harmonia. Dentre todas as coisas que Huxley criou, o que mais me chama atenção nessa sociedade é a existência da SOMA, a droga usada para proporcionar felicidade a seus usuários.
Desde que um amigo meu (o Marco) cunhou o termo “ditadura da alegria”, me pego pensando nele vez ou outra; há pouco me lembrei do romance de Huxley e de como sua genialidade parece ter descrito o tempo em que vivemos.
Há realmente uma ditadura da alegria em vigor; uma ditadura que não permite (e marginaliza) qualquer pessoa que mencione a palavra tristeza. Essa ditadura não vê sexo, classe social ou idade, ela urge a todos: SORRIA, VOCÊ ESTÁ SENDO FILMADO!
Sim, todos queremos ser felizes e contentes sempre, mas acreditar que isso é possível beira à loucura. A Palavra de Deus afirma em Eclesiastes 3 que há tempo certo para cada coisa, entre elas, tempo para rir e tempo para chorar; Jesus alertou seus discípulos que no mundo eles teriam aflições e o Ap. Tiago deixa claro que em alguns momentos devemos transformar nosso alegria em tristeza. Rejeitar a tristeza, e o sofrimento ligado a ela, é negar uma parte importante no discipulado cristão.
Não estou aqui supervalorizando o choro, mas precisamos desmistificar essa alegria ovacionada, endeusada, pelo sistema (e infelizmente por parte da igreja) – a alegria circunstancial, o nosso SOMA particular, que nos torna insaciáveis. A alegria bíblica não vem das circunstâncias, mas da certeza de que temos paz com Deus em Cristo; de que um dia seremos com Ele é. A alegria da salvação, enfim. Qualquer alegria proveniente do mundo deve ser tratada de acordo com sua natureza: PASSAGEIRA.





Shells

28 01 2009

O texto a seguir foi extraído a partir de um vídeo do You tube de Rob Bell Achei-o tão impactante que decidi transcrevê-lo e deixá-lo aqui…

“Tem um outdoor de uma companhia de celulares na estrada próxima a minha casa que diz que se você comprar esse novo aparelho você será capaz de resolver todas as coisas. Então pensei, alguém deveria alugar um outdoor ao lado e perguntar: “Resolver o quê?” Eu não acredito que tantas pessoas precisem de um celular ainda melhor e com tantos recursos.

Parece que algumas pessoas nunca param de se movimentar, correndo de um lado para outro, tão ocupadas; porém a vida de certa forma está passando por eles. Eles estão fazendo tantas coisas, um pouquinho de tudo, mas ainda assim não tem uma vida completa.

Há uma história sobre Jesus no evangelho de Marcos. Ele está em uma aldeia chamada Cafarnaum, curando todas essas pessoas e no dia seguinte seus discípulos procuram por ele o encontra sozinho e orando. E dizem a Ele: “Todos procuram por você!”

Por que o estão procurando? Porque Ele curou pessoas e está fazendo aquilo que sempre faz: Está consertando coisas e as colocando no seu devido lugar.

E qual foi a resposta de Jesus? Ele diz: “Vamos embora, vamos para outro lugar. Vamos para outras aldeias, pois eu vim pregar para eles também. Foi para isso que eu vim.” E foi embora.

A aldeia inteira quer que Ele fique e Ele diz: “Nada disso tenho que ir.” Eis uma oportunidade de fazer tanto bem, mas Ele recusa. Jesus não faz tudo. E o motivo disso é que Ele precisa seguir o seu caminho. Essa movimentação fica ainda mais clara no evangelho de Lucas.

No capítulo 9 diz que Ele partiu determinado para Jerusalém. E o capítulo 13 diz que Jesus estava ensinando no caminho para Jerusalém. E o capítulo 17 diz que Ele estava a caminho de Jerusalém. No capítulo 18, Jesus diz a seus discípulos que seu destino é Jerusalém. O Capítulo 19 diz que Ele foi em frente seguindo seu caminho para Jerusalém.

Você começa a perceber que Jesus tem um rumo certo e que seu destino é Jerusalém. Mas não é como se Ele fosse um robô programado que não controla sua própria vida.

Ele é interrompido no caminho. Aliás, muitos de seus ensinamentos são respostas dadas as perguntas que foram feitas no caminho. Mas Ele não pode ser tudo para todo mundo.

Ele não está só indo para Jerusalém. A sua meta não é chegar a uma cidade específica. Ele tem uma bússola. Uma orientação. Ele tem uma forma de orientar a sua vida e o caminho que ele percorre: Jesus diz “não” porque Ele já disse “sim”. Ele tem uma visão clara do seu objetivo de vida.

Você dificuldade em dizer “não”? Ou talvez seja melhor perguntar: “Ao que foi que você disse sim?” Porque não pode dizer “não” para uma coisa até dizer “sim” para alguma coisa. Isso não é surpreendente, que quando os seus discípulos o encontraram, Ele estava sozinho orando?

Ele fora rodeado por uma multidão cheia de expectativas quanto a Ele, e todas aquelas pessoas tinham opiniões muito bem definidas sobre o que Ele deveria fazer e para quem deveria fazer.

Então Jesus se retira. Ele se recolhe para verificar a si próprio, ouvir a Deus, e assegurar que todas aquelas vozes não o tiraram do seu caminho.

Você nunca vê Jesus fazendo nada por obrigação. Nunca o ouve dizer: “Oh, Eu deveria fazer isso porque é o que esperam que eu faça.” Essa é a real tensão dos evangelhos: Jesus está disposto a desapontar a multidão a fim de ser fiel aos objetivos que persegue. Ele não deixa a vontade dos outros interferir no seu rumo. Você nunca vê Jesus ficar estressado ou preocupado em não desapontar as pessoas, ou se preocupando com a opinião dos outros e nunca ouve Jesus dizer: “Oh, estou muito ocupado.”

O filósofo dinamarquês Sören Kierkgaard diz que um santo é aquele que quer uma só coisa. Ele estava falando do tipo de pessoa que sabe exatamente qual é o sentido da sua vida.

Você tem a força da vida. Você tem essas energias dadas por Deus e se isso não está focado e disciplinado de forma realmente especifica, isto é, se essas energias não estão focadas em um alvo, nós perdemos o rumo. As coisas ficam confusas e dissipadas e se  espalham tanto que não são tão fortes como deveriam ser. Mas quando você quer uma só coisa ou algumas coisas importantes, você está focando essas energias dadas por Deus.

Você se pega sempre dizendo: “Estou muito ocupado?” ou “Tem muita coisa acontecendo?” Por que? Examine sua agenda e tudo de que você participa, aonde você vai e faça a pergunta: “Por que?”

Ficar ocupado é uma droga que vicia as pessoas.

É claro que há aquelas fases na vida em que você fica muito tempo ao lado de uma pessoa próxima a você que ficou doente, ou começou um novo negócio ou trabalho, ou tem algo acontecendo na sua escola ou na sua família. Mas precisamos examinar o ritmo de nossas vidas se pretendemos finalmente fazer uma coisa.

Eu ouvi alguém dizer que estava se afogando em coisas boas. O oposto do melhor, nem sempre é o pior, algumas vezes o oposto do melhor é o bom. É quando nos ocupamos tanto fazendo coisas boas que não sobra energia para fazer uma só coisa.

Uma vez, eu estava em casa com a minha família, caminhando na praia a beira do oceano. Meus estavam correndo ao meu redor catando um monte de conchas… Não eram conchas inteiras, apenas pequenos fragmentos delas. Eram complexas em suas cores e desenhos, ainda assim eram apenas pedaços de conchas.

De repente eu vi algo flutuando sobre a água. Será que é? Será mesmo? Nos aproximamos e percebemos que há uns 15 metros de nós flutuava sobre as águas uma imensa estrela do mar, balançando de um lado para outro pacificamente na água.

Nossa família parou e ficou observando e um de nossos filhos ficou com aquele olhar do tipo: “Aquela estrela é minha”. Então ele entrou no mar, chegou até a metade do caminho e voltou. Nós lhe dissemos, volte, aquela estrela do mar é sua, vá em frente, vá em frente.

Então ele voltou e entrou na água novamente, avançou mais um pouco e retornou a beira outra vez, ficando ainda mais agitado e ansioso do que quando vira a estrela pela primeira vez. Então perguntei: “Qual o problema, volte e pegue a estrela, ela sua e você consegue pegá-la.”

Ele voltou avançou mais ainda do que da última vez, mas no instante final, retornou novamente a beira da praia, e ficou ainda mais frustrado e ansioso. Perguntamos outra vez: “Qual o problema, volte e pegue a estrela, por que você não faz isso?” Ele respondeu: “Eu não posso.” E eu disse: “Por que?” Ele respondeu: “Porque minhas mãos estão cheias de fragmentos de conchas.”

Você é assim? Está tão ocupado fazendo tantas coisas que suas mãos estão cheias de conchas? E algumas delas, talvez até todas são muito boas, mas lhe impedem que alcançar a estrela do mar?

Que você largue suas conchas em busca de uma vida simples, disciplinada e focada na qual você persiga alcançar aquilo que Deus reservou pra você. E que você seja mais como Jesus, capaz de dizer “não” porque já disse “sim”.”





Envelheço na cidade…

28 01 2009

Hoje é meu aniversário. Fazer aniversário em janeiro não é mole não. Quando você é criança, faz festinha e tal, mas quase nenhum dos seus amigos da escola comparece. Afinal, mês de férias, né? Verão, viagens, etc. Quando você é adulto é diferente. Mesmo que seja um adulto como eu – ainda meio criança em alguns aspectos, e meio idosa em outros – que não dá a mínima pra aniversário e datas festivas, é impossível escapar das velhas indagações que vem com as datas festivas. E janeiro já vem embalado com o ano novo e suas resoluções. Não há pra onde correr. Você, aniversariante do primeiro mês do ano, pára e pensa: “agora que estou com X anos (no meu caso 27), o que muda, mudou ou mudará na minha vida?”

No dia 02 foi aniversário de um amigo meu. Coitado, logo na virada. Mas, enfim. Eu, como sou legal, fui à festa. Chegando lá, papo vai papo vem, mandei a seguinte pergunta para ele: Você já percebeu que está com a idade de Cristo quando morreu? Ele parou, me olhou e respondeu: Já. E eu não realizei nada até agora. Fiquei com isso martelando na minha cabeça semanas. Ele não realizou nada. Nem eu tampouco. Mas, afinal de contas, realizar o quê??

Às vezes parece que o mundo vem sobre nós numa avalanche: Corra! Faça algo! Aprenda francês! Case! Tenha filhos! Doe muito dinheiro! Faça, faça, faça! Sinto-me atrasada porque ainda não me formei, nem me casei, nem descobri a cura do câncer ou ganhei um milhão. Então me bate aquela pressa louca pra fazer alguma coisa, ser alguém logo. Mas ser quem? Ou melhor, ser para quem? Então, encho o meu dia-a-dia de tudo que posso imaginar: exercício físico? Sim, por favor. Todos os livros que seu cérebro conseguir alcançar? Manda! Estudo, músicas, saídas, trabalho, TV. Mil e um projetos. Perder 3 quilos, juntar muito dinheiro, viajar para Nova Iorque, comprar roupas, ler 50 novos livros no ano. AAAAHHHH! Quem pode com tudo isso sem enlouquecer? Eu não. Já enlouqueci e tantas vezes.

Agora estou tentando “desenlouquecer”! Não sei exatamente como, mas penso que um bom começo talvez seja eliminando os supérfluos. E focalizando naquilo que é importante. Chegou a hora de peneirar, como aqueles que buscam ouro. Mas, antes de encontrar pedras preciosas, que eu e você encontremos nós mesmos. Nossa identidade. E Aquele pra quem vivemos.





Abertura

16 01 2009

Este é um blog que trata  de reflexões, criticas e comentários sobre o que está acontecendo hoje no mundo. Não quero me dar ao trabalho de dizer o que está certo e o que está errado, não quero ser o dono da verdade, quero apenas colocar o meu ponto de vista acerca dos acontecimentos, descobrir quem sou eu no meio de uma enxurrada de pensamentos que nos chegam a cada segundo sem dar tempo para respirarmos. Não sou contra a tecnologia, o avanço das idéias, mas tenho que admitir que sinto falta dos tempos antigos. A falta de conforto e de aparatos tecnológicos tornavam a nossa vida mais lenta, é verdade, mas também nos davam o tempo preciso para que pudéssemos digerir os acontecimentos, as coisas que aconteciam a nossa volta. Volto a esclarecer: não sou contra a tecnologia mas não sei se estar a frente do nosso tempo seria uma coisa tão positiva. Se tivesse que traduzir em uma só palavra o nosso tempo diria que traduziria na palavra pressa. Parece que tudo o que fazemos e o que inventamos vem com a necessidade de suprir a nossa vontade por mais: mais lazer, mais trabalho, mais saúde,… e como temos apenas 24 horas para todos estes “mais” parece que a pressa vem nos alertar que temos pouco tempo para fazermos tudo que temos vontade. Parece-me que junto com toda esta vontade de ter mais é o menos que alcançamos. Parece-me que junto com o desejo que temos e ao qual sucumbimos, ganhamos cada vez mais noção de nossa corruptibilidade, da nossa passagem. O desejo de consumir também vem acompanhado da necessidade de ter mais dinheiro, afinal quanto mais quero, mais gasto; quanto mais desejo, mais perco e este ciclo parece gerar sempre em mim o desejo por mais, mais, mais. Com o advento da tecnologia e dos avanços científicos sinto que me deparo com um dilema: “Será que estou tendo tempo para pensar no que eu realmente quero, no que realmente preciso? Será que estou sendo respeitado no direito de pensar em como devo usar o meu dinheiro visto a multidão de propagandas que dizem onde gastar e porque gastar aqui ou lá??”. Você já saiu de uma loja pensando: “Porque eu acabei de comprar isso? Será que realmente preciso de tudo isso?” Bem eu já! Parece que o desafio de nossos dias não é viver tudo o que podemos mas viver tudo o que precisamos. A natureza já está dando sinais do que tem resultado todos os nossos excessos, muitas vezes gerados por este conceito bobo e egocêntrico de ser feliz independente dos outros, um felicidade solitária. Me desculpe os modernos mas continuo com aquele verso que diz: “É impossível ser feliz sozinho”. Talvez, se ao invés de estarmos olhando tanto para o nosso umbigo, para o que está faltando para me completar, me fazer feliz, estivéssemos olhando para o lado… Talvez isso deixaria  mais clara a mensagem que diz: “É impossível ser feliz sozinho”. Não dá pra ser feliz quando esta felicidade custa infelicidade dos outros. Se continuarmos acreditando nisso como vamos convencer nossas autoridades a serem pessoas íntegras e honestas? Eles também querem ser felizes! Tanto que não conseguem ver o custo desta felicidade na alma e no corpo de um povo tão sofrido. Talvez seja hora de pensar se o “menos” não pode significar “mais”. Por exemplo: menos disperdício pode ser sinônimo de mais aguá no planeta. Água para todos!!

Em nome do desejo da alma, estamos sacrificando a própria alma!! As emoções mais sinceras, os sentimentos mais verdadeiros. Parece que a confusão reina neste campo. Não sabemos quem somos, nem de onde viemos e para onde estamos indo e enquanto penso nisso, sai mais uma coleção de inverno da loja de grife tal. Acho que seríamos mais felizes se, ao invés de nos vestirmos com toda esta moda, nos despíssemos de toda a superficialidade e hipocrisia que nos cerca. Não sou contra usarmos roupa e não estou lançando uma outra moda chamada nudismo. Só acho que estas necessidades do corpo não caem bem para a alma. A alma não se sente bem coberta, mas despida.