Quem roubou nossa coragem?*

12 10 2009

No mês passado a capa da revista Época Negócios foi um homem, ou melhor, rapaz, chamado Mark Zuckerberg, criador do Facebook. Chamei-o de rapaz porque o mocinho não tem nada mais, nada menos do que 25 anos. Meu pai é assinante dessa revista – ainda não entendi porquê – e por isso pude ler a reportagem, que aliás era enorme. História longa sendo muito resumida, trata-se de um garoto que assiste uma palestra ministrada por Bill Gates, resolve trancar a faculdade (Harvard, diga-se de passagem) por um tempinho com a finalidade de se dedicar a alguma coisa que fosse nova e que o tirasse do anonimato. O tempinho se tornou pra sempre, o garoto se tornou o criador do Facebook, e sua conta bancária, juntamente com seu prestígio, se multiplicaram por números astronômicos.

Atualmente, me encontro em uma fase de reflexão, do tipo: “o que fiz com minha vida até aqui?” Me pergunto isso todos os dias. E quando li a tal reportagem, não tive como não me fazer essa pergunta, principalmente pelo fato de que há dois anos não tenho mais os meus 25 aninhos. E provavelmente muitas pessoas poderiam sentir alguma coisa também. Afinal, a história é de uma pessoa que chegou ao topo muito, muito jovem; e esse tipo de história sempre nos leva a pensar que queríamos ter realizado algo grande na juventude, na vida, etc.

Sinceramente, o que mais me chamou atenção na trajetória de Mark não foi o dinheiro que ele ganhou, nem o sucesso que alcançou. A minha mente e reflexão se prenderam especialmente na ousadia de um menino de 19 anos. Ousadia de largar tudo o que tinha, pois mesmo que não fosse rico, ele tinha o status de ser estudante da Harvard, e com isso, certamente um bom e estável futuro trabalhando em alguma empresa nos EUA. Ousadia de investir tudo em um projeto que não oferecia nenhuma garantia de que daria certo. Ousadia de bater na porta de investidores e receber grandes e redondos “nãos”. Essa história poderia ter tido um final totalmente diferente, com Mark voltando para a faculdade, depois de ter perdido um bom tempo, com o rabinho entre as pernas, e se conformando com um futuro estável e mediano em alguma empresa. Mas não foi isso que aconteceu. Não havia nenhuma garantia de que daria tão certo. Não havia garantias ou promessas de se tornar bilionário. Porém, ele ousou, arriscou-se completamente e o resultado foi surpreendente.

A história de Mark me fez refletir sobre a minha covardia. Não, eu nunca tive uma grande idéia que deixei ir pelo ralo. Mas a minha covardia me fez jogar outras coisas pelo ralo: meu tempo, meus primeiros anos de juventude, minha comunhão com Deus. Hoje olho para a história de Mark e penso que queria ter tido a sua coragem. No campo do espírito, digo.

É preciso coragem para seguir a Jesus! Isso fica bem provado quando do episódio em que o moço, que tinha muito dinheiro, vai até Ele e pergunta: “Mestre, o que eu devo fazer para ter a vida eterna?”, ao que Jesus responde: “Você conhece os mandamentos, siga-os!” (parafraseando). Então o jovem Lhe diz que os tem seguido desde a infância. É depois dessa afirmação que vem a prova de coragem, quando Jesus diz ao jovem: “Sendo assim, vai, vende tudo o que você tem, pegue o dinheiro e dê aos pobres, depois venha e me siga.” O rapaz, infelizmente, não obedece e volta para casa triste. Às vezes fico imaginando porque motivo ele se vai triste. Será que sua tristeza não vinha, pelo menos em parte, por ele ter percebido que não tinha coragem? Talvez ele tenha voltado para casa pensando que não tinha coragem de ser pobre, mesmo que esse fosse o preço para passar a eternidade com Deus. Sem as suas riquezas, quem iria garantir a sua vida, o seu futuro? Talvez ele temesse passar necessidade. Talvez ele quisesse ter “comida, diversão e arte”, não visse a si mesmo sem essas coisas e temesse que andar com Cristo não o satisfizesse e, assim, passaria o resto da vida pensando naquilo que deixou para trás.

Sempre que leio esse texto, tento me colocar no lugar desse rapaz. Não que eu tenha muitas riquezas… Quer dizer,  na realidade, no mundo de hoje, eu posso sim me considerar muito rica com tudo o que tenho: todas as minhas necessidades básicas estão completamente supridas, e até as minhas futilidades são relativamente satisfeitas (não digo totalmente porque o desejo pelas futilidades não tem fim). Considerando um mundo onde morre uma criança na África a cada três segundos de causas que podem ser contornadas, eu sou verdadeiramente rica! Mas esse é um assunto pra outro post…

A verdade é que Jesus não disse claramente para aquele rapaz que ele passaria necessidades. Ao contrário, no Sermão do Monte Ele deixa claro que Deus sabe de tudo o que precisamos e que suprirá essas coisas. Porém, Ele exigiu confiança, fé. Coisa que nem todos estamos dispostos a dar.

Exigimos garantias. Coisa que o Mark, do Facebook, não tinha. O mais lamentável, pra mim, é que realmente, não há garantias em relação a algumas coisas. Não sei se vou encontrar o chinelo velho para o meu pé cansado; também não há garantias de que minha carreira será bem sucedida, nem se ganharei algum dinheiro. Jesus não garante que terei saúde plena durante toda a vida; nem que darei a volta ao mundo. Essas coisas são superficiais.

No entanto, há garantias. Garantia de satisfação plena, daquelas que não se encontra no sucesso profissional. Há garantia de uma casa pela eternidade; há garantia de uma enorme família de irmãs e irmãos; há garantia de Amor verdadeiro; há garantia de misericórdia; há garantia de paz que não se pode entender; há garantia de um ver a Deus; a garantias de uma nova mente e m coração de carne; há garantia de sentir algo que vai além, muito além dos sentimentos romantizados pelos filmes de Hollywood. Há garantias muito mais profundas do que qualquer uma que outra pessoa, que não Cristo, possa me oferecer. Se eu parar pra pensar bem, não é preciso nem muita coragem…

By Thams

* Inpirado em: Quando o sol bater na janela do seu quarto, da Legião Urbana.





Uma citação

4 08 2009

“People, positions, and possesssions grow less important to us as Jesus Christ grows more important*”

Shirley Brosius in Sisterhood of Faith

* Pessoas, posições e possessões se tornam menos importantes quando Jesus se torna mais importante.





E Deus enviou o seu Filho…

17 06 2009

“Se nossa maior necessidade fosse formação,

Deus nos teria enviado um educador.

Se nossa maior necessidade fosse tecnologia,

Deus nos teria enviado um cientista.

Se nossa maior necessidade fosse dinheiro,

Deus teria enviado um economista.

Se nossa maior necessidade fosse prazer,

Deus nos teria enviado um artista cômico.

Mas nossa maior necessidade era perdão,

E, assim, Deus nos enviou um Salvador!”

Autor desconhecido





Um vôo trágico nos faz repensar a vida

4 06 2009

“Com sorte, você atravessa o mundo. Sem sorte não atravessa a rua” (Nelson Rodrigues)

Ontem foi um dia diferente para todos nós. Um dia mais duro. Em que se acorda com a notícia de que um avião sumiu no oceano com 228 pessoas a bordo. Famílias, casais enamorados, oito crianças, um bebê, passageiros mal-humorados, outros de bem com a vida, os que tossem, os que roncam e os que não dormem. Gente que ia e gente que voltava.
O avião saíra do Rio, ia para Paris, e desapareceu do radar na altura de um de nossos paraísos, o arquipélago Fernando de Noronha. Tempestade em “zona de convergência intertropical”, raios, trovões, pane elétrica, nuvens espessas – as chamadas cumulus nimbus – e o sumiço nas águas. Ou no céu. Uma das hipóteses é que o Airbus A330 da Air France tenha se desintegrado no ar antes de cair no Atlântico.
Meu filho de 22 anos, candidamente, me disse, sentado a meu lado em frente ao computador.
“Mãe, da próxima vez que você viajar, sei lá, olha antes a meteorologia”.
Faço muito essa rota, sempre pela Air France. Vivi em Paris como correspondente vários anos.
Eu respondi: filho, quando tem que ser…
Há gente que passa a vida inteira sem viajar de avião por medo. E pode acabar atropelado na calçada. Vamos morrer todos um dia e, como diz um amigo meu, o psicanalista Luiz Alberto Py, “é mais saudável sentir medo do provável que do possível”. Possível tudo é. Nunca senti medo de voar. Costuma me bater uma calma até estranha quando me sento no avião. Lembro uma vez, quando viajava com meu ex-marido físico (cujas mãos ficam suadas ao voar) e ele me disse: “Não, Ruth, você está de provocação. Vai começar um capítulo do livro na hora de aterrissar?”
Há dois anos, fiz um vôo de asa-delta, saltando da Pedra da Gávea, com um instrutor. Sobrevoei um vulcão no Chile com um Cessna, em dia de ventania, vendo a lava fumegante. Fiz várias “loucuras”, como descer de helicóptero militar numa zona minada em Angola em tempos de guerra, ou andar num carro dirigido pelo inglês Nigel Mansell no circuito de Interlagos com a pista molhada. Não me lembro de ter sentido medo, apenas adrenalina. O jornalista costuma ser, sim, um pouco irresponsável com a própria vida. Mas a vive com paixão.
Esses passageiros que iam para Paris não faziam nenhuma loucura. Como ouvi ontem de um especialista, é mais fácil morrer voltando de táxi para casa do aeroporto, depois de perder o avião por alguma eventualidade. Cerca de 85 mil aviões comerciais decolam por dia no mundo. Este não chegou ao destino.
Entre os 58 brasileiros que embarcaram no Galeão, havia, como em todos os voos, gente nascida em vários estados, de todas as idades, para quem Paris significava trabalho, prazer, volta para casa, ou simples escala de conexão. A jovem Ana Carolina, de 28 anos, trabalhava em comunidade carente no Rio com crianças e jovens envolvidos com violência armada. A família gaúcha Chem – cirurgião plástico, psicóloga e filha executiva – ia para a Grécia passar um mês de encantamento. Havia um oceanógrafo. O maestro que iria reger em Kiev, na Ucrânia. Uma cantora e dançarina. Professores universitários, engenheiros, executivos. Um deles, da Vale, ia a Paris receber um prêmio. Um Orleans e Bragança, descendente de dom Pedro II. Um casalzinho em lua de mel – a cerimônia tinha sido no sábado. Também estavam no voo 447 alguns brasileiros que voltavam para a Europa após visitar as famílias no Brasil. Mais e mais fragmentos de vida vão surgir e nos entristecer esta semana.
A tragédia do Airbus A330 não apenas nos enche de dor. Ela nos confronta com nossa fragilidade. Dá medo sim. De sumir, de deixar de existir para quem amamos sem ter tempo de mandar um SMS, e de fechar precocemente a agenda da vida quando ainda há tanto a fazer. Mesmo os jovens, que se julgam imortais, imunes a quase tudo, sentem um aperto.
Num momento assim, quem brigou faz as pazes. Quem se lamenta por frivolidades dá um tempo. Há uma celebração interna por estar vivo. E me invade uma tremenda vontade de continuar aproveitando tudo com intensidade.
Como dizia nosso grande cronista Nelson Rodrigues, “sem paixão não dá nem pra chupar um picolé”. Você é apaixonado pela vida? Ainda tem tempo.

Escrito por Ruth de Aquino





Soltar

2 06 2009

 

Soltar não significa parar de se preocupar; significa que não posso fazer isso por outra pessoa.

Soltar não é se isolar; é a percepção de que não posso controlar o outro.

Soltar não é deixar, mas permitir o aprendizado com bases nas conseqüências naturais.

Soltar é admitir a fraqueza, o que significa que o resultado não está em minhas mãos.

Soltar não é tentar mudar ou culpar o outro; eu só posso mudar a mim mesmo.

Soltar não é se preocupar, mas se importar.

Soltar não é consertar, mas apoiar.

Soltar não é julgar, mas permitir que o outro seja um ser humano.

Soltar não é ficar no meio, ajeitando os resultados, mas permitir que os outros alcancem seus próprios resultados.

Soltar não é ser protetor; é permitir que o outro enfrente a realidade.

Soltar não é negar, mas aceitar.

Soltar não é incomodar, repreender ou discutir, mas analisar minhas próprias deficiências e corrigi-las.

Soltar não é ajustar tudo aos meus desejos, mas aceitar cada dia como ele for.

Soltar não é criticar nem regulamentar ninguém, mas tentar tornar-me aquilo que sonho que eu possa ser.

Soltar não é arrepender-se do passado, mas crescer e viver para o futuro.

Soltar é temer menos e amar mais!

 

 





Surpreenda-se!

22 05 2009

Eu trabalho todos os dias com crianças de 5 e 6 anos. E sou completamente apaixonada por elas. Uma das melhores coisas desse trabalho é o quanto você pode aprender e perceber da vida ao lidar com esses pequenos.

Uma das lições que recebi essa semana foi muito especial e, na verdade, ainda estou tentando assimilar bem o que percebi.

Estamos trabalhando há dois meses com o tema “Espaço” na escola. É mais ou menos assim: as crianças pesquisam, escrevem, lêem, fazem muitas coisas relacionadas ao tema, e assim vão descobrindo um pouco do que a ciência já sabe que há lá longe. Então, depois de já conhecerem todos os planetas, a Lua, o Sol, e etc. Eles começaram a pesquisar sobre a intervenção que o homem tem feito no Espaço. Tipo, satélites, sondas, telescópios, lixo espacial e a ida à Lua. Enfim, é tudo muito legal e eles cada vez se interessam mais.

Assim, esses dias, num momento de discussão em sala, elas tomaram conhecimento do lançamento do Sputnik 2, satélite russo que, nos idos anos 1950, levou a cachorrinha Layka para o Espaço. Daí as crianças começaram com as suas mil perguntas: “Mas mandaram uma cachorra?”, “ Tinha alguém junto dela?”, “O que ela foi fazer lá?”, e afinal, “Porque mandaram uma cachorra para o espaço?”. Quando começamos a explicar que eles mandaram uma cachorra para testar a nave, ver se era seguro ir pra lá, o que aconteceria e se ela conseguiria voltar, a reação foi ainda pior: como assim os homens mandaram uma cachorra sem saber se era seguro pra ela, se ela voltaria bem? E se ela não voltasse? “`Tadinha, e se acontecesse alguma coisa?” Elas ficaram muito surpresas com tamanha crueldade. Afinal, o bichinho poderia sofrer muito.

Então, eu comecei a me perguntar em que altura da vida nós perdemos essa capacidade de nos surpreender com a maldade. Quando perdemos a capacidade de ter compaixão pelas outras pessoas e pela natureza? Não me entenda mal, eu não sou contra pesquisa científica e tampouco sou ativista pelos direitos dos ratos de laboratório. Não sou vegetariana, nunca tive um cachorro e nem quero ter. Mas é impossível não começar a refletir sobre o que nos tornamos quando se encontra os sentimentos de 24 criancinhas preocupadas. Quando foi que Humanidade deixou de se importar com as conseqüências do que faz com a natureza e com os próprios homens e mulheres? Se é que algum dia se importou… Há algumas décadas mandamos uma cachorra para o espaço, fazemos testes de cosméticos em animais (como se a pele do rato fosse ter a mesma reação que a minha ao creme) e os matamos a toa muitas vezes. Hoje, se tirarmos os óculos cor-de-rosa e olharmos para o mundo será possível ver outras ações, ainda piores, sendo feitas: testes de medicamentos em pessoas de países pobres, mulheres sendo espancadas no Oriente Médio (pois seus maridos têm esse direito, segundo o Islã), meninas da idade dos meus alunos sendo vendidas e prostituídas não tão longe daqui (pra quem não sabe, o turismos sexual infantil no Brasil é mundialmente conhecido). O pior de tudo é que, quase sempre, essas atrocidades não nos chocam. Quando o fazem, o sentimento não dura muito, e logo partimos para os afazeres da nossa vida, vamos ganhar dinheiro e nos divertir.

Então vejo que eu preciso me surpreender. Não quero ficar surpresa apenas com as coisas boas, mas principalmente, com aquilo que não deveria estar acontecendo. Um coração que não se surpreende com essas coisas, já está fechado, e talvez seja duro como uma pedra.

Quando, no último dia, eu me apresentar diante Criador, o que Ele me dirá sobre o que fiz àquilo que criou? E a você, o que Ele dirá?

Por Thams.





A ditadura da alegria

9 02 2009

Admirável mundo novo, uma das mais importantes distopias da literatura mundial escrita pelo inglês Aldous Huxley, retrata um futuro em que pessoas são criadas em laboratório e cada uma delas já em uma classe com características bem definidas, divididas em alfas, betas e gamas. Além disso, as pessoas eram condicionadas psicologicamente a viverem em harmonia. Dentre todas as coisas que Huxley criou, o que mais me chama atenção nessa sociedade é a existência da SOMA, a droga usada para proporcionar felicidade a seus usuários.
Desde que um amigo meu (o Marco) cunhou o termo “ditadura da alegria”, me pego pensando nele vez ou outra; há pouco me lembrei do romance de Huxley e de como sua genialidade parece ter descrito o tempo em que vivemos.
Há realmente uma ditadura da alegria em vigor; uma ditadura que não permite (e marginaliza) qualquer pessoa que mencione a palavra tristeza. Essa ditadura não vê sexo, classe social ou idade, ela urge a todos: SORRIA, VOCÊ ESTÁ SENDO FILMADO!
Sim, todos queremos ser felizes e contentes sempre, mas acreditar que isso é possível beira à loucura. A Palavra de Deus afirma em Eclesiastes 3 que há tempo certo para cada coisa, entre elas, tempo para rir e tempo para chorar; Jesus alertou seus discípulos que no mundo eles teriam aflições e o Ap. Tiago deixa claro que em alguns momentos devemos transformar nosso alegria em tristeza. Rejeitar a tristeza, e o sofrimento ligado a ela, é negar uma parte importante no discipulado cristão.
Não estou aqui supervalorizando o choro, mas precisamos desmistificar essa alegria ovacionada, endeusada, pelo sistema (e infelizmente por parte da igreja) – a alegria circunstancial, o nosso SOMA particular, que nos torna insaciáveis. A alegria bíblica não vem das circunstâncias, mas da certeza de que temos paz com Deus em Cristo; de que um dia seremos com Ele é. A alegria da salvação, enfim. Qualquer alegria proveniente do mundo deve ser tratada de acordo com sua natureza: PASSAGEIRA.